texto

Implementando a supervisão de campo no internato de saúde coletiva do curso de graduação em medicina

14.11.2017 , Afonso Cláudio/ES

A SUPERVISÃO DE CAMPO COMO ESTRATÉGIA ENSINO-APRENDIZAGEM NO INTERNATO DE SAÚDE COLETIVA

Curso de Medicina da Faculdade Multivix Vitória-ES

As atividades práticas, com vivências das situações reais do campo de atuação médica, são de extrema importância no processo de formação dos educandos no curso de Medicina. Essa aproximação favorece a compreensão dos condicionantes e determinantes do processo saúde-doença, contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes das necessidades de saúde da população e de seu papel como cidadão.

Aprender no Sistema Único de Saúde (SUS) significa aprender no contexto da produção do cuidado, na prática. E implica conceber-se como protagonista nesse processo de vivência continuada, onde múltiplos saberes, expectativas e motivações interagem no acolhimento das pessoas. Transformar essa experiência educativa em significados para a vida e ampliar competências, habilidades, atitudes, valores e novos conhecimentos requer imersão nesse contexto das práticas de atenção à saúde: as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A capacitação para a prática médica no contexto da Atenção Primária à Saúde deve basear-se nos princípios do SUS, na dimensão da clínica ampliada e no método clínico de abordagem centrada na pessoa. Nessas perspectiva, a qualificação dos cenários docentes-assistenciais impõe-se, pois, como instrumental necessário para aperfeiçoar essa articulação ensino-serviço. Faz-se imprescindível alavancar a interlocução colaborativa entre os diversos atores envolvidos, rumo a um construto coletivo e sustentável. E mais que conhecer tais cenários, faz-se preciso vivenciá-los na perspectiva do cotidiano das práticas de trabalho.

A implementação da organização curricular modular nos períodos finais do curso de Medicina exigiu repensar o desenvolvimento do estágio em Saúde Coletiva. Esse novo olhar sobre tal processo possibilitou deflagrar a proposição de uma reestruturação dessa relação dinâmica ensino-serviço, com foco na integração harmônica entre a formação de recursos humanos para a saúde e os serviços prestados à população.

Tal proposição exigiu redimensionar o processo de preceptoria, bem como a implementação da supervisão de campo, amalgamados com o acompanhamento regular das atividades desenvolvidas junto às unidades docentes-assistenciais dos municípios de Vitória e da Serra onde são realizados os estágios do internato em Saúde Coletiva.

Ainda embrionário, tal processo conduziu olhares sobre diferentes dimensões: gestão, processo de trabalho e docência. O fortalecimento do compromisso mútuo institucional, a negociação de papéis, responsabilidades e contrapartidas e o dimensionamento das dificuldades operacionais foram alguns dos desafios delineados.

Visando implementar um primeiro ciclo de abordagens, a operação inicial foi direcionada à aproximação com as UBS, na expectativa de conhecer-lhes a dinâmica de funcionamento. Visitas técnicas regulares permitiram um primeiro desenho.

O segundo movimento foi direcionado ao processo de trabalho do médico preceptor, com o objetivo de esboçar o cotidiano de trabalho na UBS.

Um terceiro movimento, ainda em curso, busca rastrear aspectos vinculados ao território e população adscrita e os impactos das ações de saúde sobre indicadores selecionados.

Os resultados são ainda iniciais, mas apontam para caminhos que exigem reflexão e intervenções;

- O foco do trabalho médico continua assentado na assistência (na produtividade de procedimentos), numa clássica reprodução do modelo médico-assistencial curativista;

- O processo de trabalho ainda encontra-se verticalizado, em grande parte direcionado a grupos populacionais específicos;

- Há necessidade de capacitação dos médicos preceptores;

- A Educação Permanente em Saúde não constitui-se em prática institucionalizada;

- A Saúde do Trabalhador é ainda uma questão incipiente;

- As ações de Vigilância da Saúde são pouco integradas às práticas assistenciais;

- A vocação de algumas Unidades Assistenciais não as configuram como potentes unidades docentes-assistenciais.

Evidentemente muito há que avançar-se nesse construto, e novos ciclos de avaliação e acompanhamento das atividades nas UBS precisam ser implementados.


Compartilhe essa História

Comentários

Histórias Relacionadas