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Revisitando as práticas dos auxiliares de enfermagem nas visitas domiciliares: uma experiência na unidade de saúde de Consolação- Vitória

13.11.2017 , Vitória/ES

REVISITANDO AS PRÁTICAS DOS AUXILIARES DE ENFERMAGEM NAS VISITAS DOMICILIARES - UMA EXPERIÊNCIA EDUCATIVA NA UNIDADE DE SAÚDE DE DA FAMÍLIA DE CONSOLAÇÃO-VITÓRIA-ES

Autoras: *Cynthia Coelho Silva e *Lais Candido Enz ( Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo- departamento de Enfermagem dos Centro de Ciências da Saúde- CCS/Ufes.

** Andréa Rosalém e Jackeline Merizio (Enfermeiras da Unidade de Saúde da família de Consolação- Supervisoras de estágio)

*** Luzimar S Luciano (Professora do Departamento de Enfermagem- CCS- Ufes- orientadora do estágio curricular I)

Introdução - O auxiliar de enfermagem é um profissional de essencial importância na contribuição para as ações da equipe que compõe a Estratégia de Saúde da Família, podendo ser visto como um facilitador, orientando e ajudando a população a compreender melhor sua relação com a própria saúde.Percebendo o papel desenvolvido pelos auxiliares de enfermagem na Unidade de Saúde da Família do bairro Consolação, quanto às visitas domiciliares, e a necessidade de realizar um processo de educação permanente, decidimos realizar esse projeto de intervenção da disciplina estágio curricular I do curso de Enfermagem da Ufes com objetivo de uma revisitação das práticas desenvolvidas por essa categoria na visita domiciliar a fim de promover um melhor acolhimento aos usuários do território e contribuir para a promoção e prevenção de agravos da saúde.

Metodologia – Essa intervenção foi realizada com as auxiliares de enfermagem de duas das seis equipes de ESF da Unidade Básica de Saúde do Bairro de Consolação no município de Vitória, Estado do Espírito Santo. Foram realizados quatro encontros com as auxiliares de enfermagem, nas dependências da Unidade de Saúde durante o seu horário de trabalho. Como método, utilizamos a Roda de Conversa que, segundo CAMPOS (2007), “Roda é um espaço coletivo: um arranjo onde exista a oportunidade de discussão e de tomada de decisão. Pode ser formal ou informal. (...) É o espaço para a elaboração de um projeto de Intervenção.” Já como estratégia para provocar o debate na análise da atividade na visita domiciliar, foi utilizada a técnica de “Instrução ao Sósia”, que propõe ao profissional em questão (auxiliares de enfermagem) explicar como as suas atividades devem ser feitas por um eventual substituto (sósia), nesse caso, como uma das acadêmicas de enfermagem deveria conduzir uma visita domiciliar caso esse auxiliar não pudesse comparecer naquele dia. Essa técnica foi proposta por Yves Clot (2010), como meio de provocar uma análise indireta das atividades de trabalho. Ao final de cada Roda de Conversa as participantes receberam um roteiro revendo as atividades essenciais nas visitas domiciliares.

.Resultados e Análises- O ponto principal dessa intervenção foi revisitar as práticas dessa categoria profissional quanto à visita domiciliar, então desde a primeira roda de conversa foi usada a técnica de Instrução ao Sósia, onde as participantes orientavam, para uma eventual colega nova, como deveria ser realizada e conduzida a visita domiciliar de usuários do território: hipertensos, diabéticos e idosos. Com base na análise das falas, foi possível definir algumas categorias que interferem no processo de cuidar na visita domiciliar como o número reduzido de atualizações/capacitações, a condição socioeconômica da população assistida e a violência no território. Destacamos alguns fragmentos das falas das auxiliares de enfermagem.

“Então eu hoje oriento dessa forma: a gente vai lá, vai olhar pressão, vai olhar glicose (.. .) Também oriento a evitar certos tipos de comentários, porque as vezes a gente está lidando com um ambiente que a gente não conhece. Tem gente que nunca lidou com aquilo.”

“Quando eu cheguei aqui, eu vim crua, não sabia nada, já tinha trabalhado na atenção básica, mas não sabia nem o que era PSF.(...), então foram as agentes que me orientaram, me explicaram como a gente chegava na residência, e tal.”

“Bom, primeiro a gente avisa a pessoa. Primeira coisa que a gente fala é sobre o território, não tem como.”

Apesar das dificuldades apresentadas, as auxiliares pontuaram a atuação delas na promoção e prevenção da saúde pela visita domiciliar e a sua importância para a comunidade.(...) “Mesmo sendo complicado, eu acabo ficando estimulada quando chego lá em cima, a tentar levar algo bom, porque existem pessoas tão carentes, que moram em locais mais inimagináveis. E quando você chega é uma alegria, eles se sentem importantes. (...) Fui numa casa que a senhora disse ‘que bom que você veio na minha casa, porque nunca ninguém veio aqui’. Essa senhora tinha quase 70 anos, nunca tinha feito um preventivo, ela tinha tido mais de 10 filhos, todos de parto normal, tinha um abdome extremamente distendido, provavelmente ela deve ter desenvolvido algum câncer ali, e ela nunca tinha ouvido falar daquilo”....

Considerações finais - As rodas de conversa mostraram a importância do processo de educação permanente para os auxiliares de enfermagem, bem como a importância desse profissional para o funcionamento da ESF, e a sua grande relevância na colaboração no trabalho em equipe. Muitos conceitos errôneos foram quebrados durante as rodas de conversa, principalmente o conceito de que o auxiliar de enfermagem é apenas um subordinado do enfermeiro, e muitas questões que dificultam o êxito visita domiciliar puderam ser compreendidas

REFERÊNCIAS

CAMPOS, G. W. de S. Saúde paidéia. 3. ed. São Paulo:Hucitec, 2007

CLOT, Y. Trabalho e poder de agir. Tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira e Marlene Machado Zica Viana- Belo Horizonte: Fabrefactum, 2010.


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