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Educação Permanente na Atenção Básica voltada a Saúde Mental

01.09.2017 , Fazenda Rio Grande/PR

Sou enfermeira numa equipe de Saúde Da Família desde 2012 no município da Fazenda Rio Grande,e na unidade Laude onde Atuo, montamos o projeto para atender de maneira mais assertiva os usuários que participam do programa de Saúde Mental.

Segundo Maciel (2008), temos uma história de estudos em Saúde Mental, semelhante a algumas em que acontecem em outras partes do mundo, história cheia de obstáculos a serem vencidos, de situações que devem ser modificadas, para preservar o real objetivo do serviço que presta assistência ao doente mental, que visa à inclusão e não a exclusão.

Para Campos e Furtado (2006), existem poucos ensaios que tratem da implicação que a saúde mental tem na atenção básica, visto que a maioria dos artigos tratam ou da parte de diagnostico ou da parte de farmacologia, neste campo é quase nula as publicações que tratem da articulação que se faz necessária dentro da RAS no que tange os cuidados que devem ser incutidos aos que sofrem de males da psique, fica implícito que em cada fase o doente necessitara de um serviço da rede e que portanto todas as estâncias da RAS deve saber seu papel e sua real importância dentro do contexto apresentado por cada indivíduo que esteja sendo assistido.

A reforma psiquiátrica prioriza que atenção ao doente mental tenha enfoque no indivíduo e não na psiquiatria, desta forma existe um esforço para que as ações ocorram no espaço comunitário não no hospitalar, o que acaba demonstrando a importância da desmistificação do doente mental por aqueles que devem ser os atores para o seu total ou parcial restabelecimento. (LEÃO E BARROS, 2012)

Dentro da atenção que é dirigida aos doentes mentais na Atenção Básica um dos maiores desafios é vencer o pré-conceito consolidando, desta forma, o que tange a Reforma Da Política Psiquiátrica. Já que reforma questiona os saberes psiquiátricos, existe uma forte tendência em realizar a desospitalização e que estes cuidados sejam realizados no território. (TAVARES, 2006)

O SUS tem como uma de suas diretrizes a Educação em Saúde visto que uma pessoa construa seu saber com informações de forma condizente, atrativa será capaz de criticar, tomar decisões no que diz respeito a sua saúde. A constituição de 1988 no artigo 200, inciso III, declara que cabe aos profissionais do SUS ordenar a formação na área da Saúde (BRASIL, 1988).

   Em 2004 o MS lançou a “ POLITICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAUDE”, esta foi elaborada após derem consideradas os seguintes preceitos que estão na constituição de 1988, Inciso II do artigo 87, nele à descrição de que é responsabilidade do MS a formação de recursos humanos e que estes devem inclusive produzir recursos científicos e tecnológicos

Seguindo a mesma linha norteadora o SUS reforça a orientação da importância da educação permanente na atenção básica dentro do PNAB que é a política que orienta as ações da atenção básica: dentro das determinações estão como princípios que a educação permanente tenha um cunho constitutivo, que esta seja 1 elemento dentro da conjuntura de cada equipe e que neste universo sejam levados em consideração a necessidade de se transformar o caráter centralizador onde o médico é o dono de todas as verdades e o usuário pouco participa do processo de cuidar, é necessário que a equipe redirecione o modelo de atenção, que haja uma profunda mudança no processo de trabalho, onde cada um dentro da equipe multidisciplinar entenda e assume suas reais responsabilidades dentro do contexto daquela comunidade a qual as ações são planejadas e executadas. (PNAB, 2012)

A importância de executar a educação permanente com a equipe de enfermagem é pelo fato desta ter um maior contato com a população atendida, desta forma sua melhoria na construção do conhecimento em saúde mental e nas demais áreas que são prestados cuidados está diretamente ligada a melhoria no serviço prestado, seja pela melhoria da identificação das situações que necessitem de mais atenção, seja na condução das situações que fujam da “ normalidade”, desça forma existe uma melhoria na práxis da equipe como um todo. (TAVARES, 2006)

O que temos como premissa na educação é a formação de um sujeito ético, com uma visão de qual é o seu papel dentro do seu estabelecimento de saúde e na sociedade, sendo assim a educação é um processo de construção instrucional e institucional, levando em consideração as particularidades de sua população adscrita. (OLIVEIRA. ET AL. 2011)

   Por se tratar de uma equipe com muitas formações, a forma de trabalhar deve estar bem ajustada, são fundamentais as reuniões de equipe, para estabelecer entre os pares o modo de lidar com as situações levantadas, toda equipe deve trabalhar com o intuito de não desenvolver no usuário uma dependência do serviço, que este deve construir laços sociais, familiares e comunitários, para que este cliente desenvolva autonomia, os projetos devem ser direcionados de forma gradativa para que este usuário torne se independente gradativamente. (BRASIL,2004)

Para que se coloque em pratica aquilo que o MS preconiza para educação permanente seja realizada a contento alguns questionamentos devem servir como norteadores, tais como: Quem são os profissionais que executaram este processo continuado de construção do saber? A própria equipe, deve mediante as suas angustias levantar questões a serem esplanadas por um ou mais profissionais da equipe ou convidados. (BRASIL, 2009)

   Devemos desta maneira entre nossos pares definirmos qual a melhor metodologia a ser aplicada a cada um dos temas levantados e fixarmos datas em que seja possível o maior numero de componentes da equipe estar presentes para um maior aproveitamento dos recursos empregados, podendo ser estes, materiais escritos, palestras, filmes, estudos de caso, relação entre artigos, livros entre outros. (BRASIL, 2009)


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